Um influencer vai decidir o seu futuro? É sério?
Muitas vezes a vida pode ser difícil, seja por culpa nossa ou não. E pode ser muito mais difícil para algumas pessoas, seja por escolhas erradas ou circunstâncias da vida que não é possível alterar. Ora, construir uma vida feliz é um trabalho que leva muito tempo, mas o caminho pode ser até mais prazeroso do que o ponto de chegada.
Mas será que buscamos referências para nossas motivações em pessoas que realmente sabem do que estão falando?
Já alerto que esse pequeno texto não é de auto ajuda e não tem a pretensão de uma solução rápida e mágica, aliás, esse texto é daquele tipo que lemos e relemos diversas vezes para assimilar. O objetivo aqui é provocar uma reflexão sobre a realidade e buscar mecanismos para tomar as rédeas da vida.
Quais são os pilares que hoje te movem?
“Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos, e investiram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava fundada sobre rocha.” Jesus Cristo (MT 7, 25)
Jesus nos indica que se temos bases sólidas, estaremos mais aptos a lidar com “as tempestades” da vida. Você já se questionou quais são os pilares que regem sua vida?
Seja honesto e busque refletir sobre as suas ações e – principalmente – as motivações que as justificam. Geralmente, não é costume refletir sobre essas coisas, mas uma mudança de vida nos exige essa reflexão.
Ao conhecer os motivos que norteiam as suas ações e, portanto, sua vida, você poderá questioná-los e até mudá-los.
É certo que eu simplifico algo mais complexo, mas como exemplo – para que o texto não fique apenas conceitual -, uma pessoa que costuma espalhar boatos ou comentar com frequência sobre a vida dos outros, pode ter a inveja como motivação, ainda que ela não se dê conta disso. Neste caso, o desejo de ter algo sem o esforço de conquistá-lo pode dar uma luz sobre um dos pilares do indivíduo.
Nos é recomendável, portanto, identificar a partir dos nossos comportamentos quais são as motivações que nos levam a ter as atitudes que temos. Mas como?
Como identificar as motivações?
Via de regra, a maioria das pessoas age sem examinar as próprias razões de cada atitude. Por isso, a provocação de Sócrates “conhece-te a ti mesmo”, me parece adequada para orientar a busca por nossas motivações.
O primeiro passo é listar algumas áreas da vida que julgamos mais relevantes. O ideal é focar em duas ou três no máximo para que seja efetivo. Por exemplo, o relacionamento conjugal, com os pais ou com os filhos; ou a vida profissional.
Busque olhar para a forma como se comporta: se você tem uma postura mais tímida ou extrovertida; se costuma orientar ou ser orientado; se sente intimidado ou costuma ser mais agressivo; se conhece as intenções ou problemas dos outros; entre outras.
O próximo passo é olhar para esses comportamentos e com honestidade responder a perguntas como “o que quero isso?, o que realmente busco?, a quem quero satisfazer?”
Busque anotar suas conclusões e reflita sobre elas. Não julgue. Apenas acolha e reconheça que você não é perfeito, mas pode mudar.
Tome cuidado pois “é justamente a ‘busca da felicidade’ que frustra sua obtenção” (FRANKL, 1991), ou seja, se for uma busca obstinada e sem critério, pode gerar mais complicações do que a felicidade em si. Descomplique e seja simples.
Como buscar pilares sólidos?
“Eis que sucumbe o que não tem a alma reta, mas o justo viverá pela sua fé.” Habacuque (HC 2, 4)
A frase acima, talvez a mais conhecida do livro de Habacuque, nos dá um norte interessante: podemos buscar pilares e optar vivê-los de forma livre, racional e intencional. Ora, se podemos buscar parâmetros para aplicá-los em nossa vida, como buscar esses pilares sólidos?
Como eu disse ao introduzir esse texto, não sou adepto a auto ajuda ou a soluções mágicas. Tendo a pensar que buscam nos envolver em nossas mídias sociais as dezenas de “mestres” para partes da vida, mas poucos enxergam o ser humano como um todo. Precisamos conhecer a nossa essência de humanos, para identificar potenciais pilares que estejam de acordo com nossa vida humana, na busca pela verdade e que atenda a nossas três categorias principais: espiritual, psíquica, e corporal.
É importante observar que mudar de vida é uma decisão racional, em que podemos moldar nossa vida, ao invés de apenas reagir às circunstâncias.
Nesse sentido, retomamos a Habacuque, e não podemos deixar nosso “destino” nas mãos de influencers. Se quisermos viver de forma consciente e moldar nosso futuro, precisamos voltar para os clássicos da literatura e para os grandes homens e mulheres do passado, aqueles que construíram vidas de propósito e coragem.
Ao estudar a mencionada filosofia de Sócrates ou a trajetória de figuras históricas como Santa Joana d’Arc, entre outros santos, encontramos exemplos de fé racional e perseverança diante da adversidade. Esses modelos mostram que é possível definir a própria vida por princípios e valores pautados na busca pela virtude, ao invés de se deixar levar pelas circunstâncias ou pelas opiniões alheias.
Há diversas biografias cuja leitura e reflexão sincera podem nos inspirar a construir uma existência com significado.
Como viver de acordo com os novos pilares?
Se você identificou quais são os pilares que hoje te movem, e iniciou o processo de busca por pilares sólidos, que ajudam a viver na virtude e viver os seus próprios propósitos, o próximo passo é colocar em prática.
Temos no site diversos textos sobre projeto de vida, ou seja, colocar o nosso propósito no papel, de forma sistemática em que é possível listar os objetivos, traçar metas possíveis, acompanhar as etapas e, se necessário, corrigir o roteiro. Recomendo começar com o Atinja os seus propósitos com um projeto de vida, para uma visão mais ampla do “como” viver de acordo com os novos pilares.
Referências
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2002.
Bíblia de Jerusalém, editora Paulus.
FRANKL, V. E. A vontade de sentido: fundamentos e aplicações da logoterapia. São Paulo: Paulus, 1991.
PLATÃO. Apologia de Sócrates. Tradução de João Ferreira de Almeida. São Paulo: Abril Cultural, 1976.
📷 Self-Portrait with Friends (Painter of sea pieces Weiss and Joseph Fay) (1834) | Carl Engel (German, 1817-1870)